Hoje, depois de muitos e muitos tempos, te vejo aqui. Quase não acreditei quando vi que era mesmo você. Talvez minha vontade de te ver fosse tão grande e a probabilidade tão pequena, que cheguei a desacreditar no que os meus olhos enxergavam. Mas esse brilho no olhar, essa gargalhada fácil e esse desleixo são coisas suas, só suas, coisas que nunca me permitiriam confundir-te com alguém.
Agora os minutos viram segundos, as horas viram minutos e assim por diante. Sim, queria que o relógio parasse, parasse até quando tivessemos matado essa saudade que nos atormenta, e assim com o controle da saudade(se é que existe controle), o relógio voltaria a funcionar.
Mas não foi assim, não é assim, nunca vai ser assim. Agora a tarde chega ao fim e você tem que ir embora. Me despeço feliz, com um sorriso meio bobo e extasiada, só que você se foi e eu não tinha percebido que passando por aquela porta tudo voltaria a ser como antes. Não percebi que aquela tarde tinha sido um intervalo que a vida nos deu para sermos felizes, mas agora nosso tempo se esgotou e tudo voltaria a ser exatamente como antes. Não tão cedo voltariam aquelas gargalhadas, aquele riso frouxo e aquela sensação de ser feliz. E, talvez, nunca mais essas coisas voltem.
A vida é incerta. Incerta demais, confusa demais, louca demais. Queria saber em que momento dessas nossas vidas erramos o passo, desviamos o caminho, deixamos de ir de mãos dadas. O que era rotina, virou luxo. Um luxo que eu quero desfrutar todos os dias. Mas continua sendo um luxo e eu não mais posso me dar à esse luxo.
E se antes eu era só sorrisos, agora sou só saudade e o vazio que ela me causa. Mas, apesar de tudo, continuo sendo a esperança de que, em alguma estrada, nos bateremos de novo e nos daremos, mais uma vez, ao luxo que é ser feliz.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
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