É tudo tão diferente do lado de cá. As pessoas parecem não notar tamanha diferença, mas eu, eu sim noto. Anda tudo tão fora de lugar, tudo tão desarrumado, não entendo.
Mas, no fundo, sei que as coisas não são assim. Sei porque eu já consegui tocar em outro ângulo, já consegui ver outras estradas além desta em que me encontro e, garanto, é tudo tão mais lindo por lá.
Não sei em que momento mudei meu rumo, mas mudei e isso é um fato. Não sei como as coisas tomaram proporções desse nível. Não sei, não sei. Queria ter respostas para tantas dúvidas, mas me resta a certeza e, de certa forma, o alívio de saber que as coisas não são assim.
A vida é linda. A vida tem cheiro de terra molhada, tem som de gargalhadas e uma fisionomia sublime. É cheia de contra-tempos, cheia de incertezas, cheia de reticências, mas a beleza dela se esconde exatamente por trás dessas coisas. Meio paradoxal, eu sei, mas é deste jeito.
O único problema é me sentir fora desse ciclo. Esse ciclo que nos dá cada vez mais vontade de viver. Esse esquenta, esfria. Acalma, inquieta. Normaliza, desmorona.
Mas o que enxergo agora são privações. Privações sim, porque acabo de perceber que ando me privando da vida. Mas a vida não permite privações.
domingo, 21 de setembro de 2008
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